Lammas 2004
Lammas 2004

Lammas was golden in every sense of the word. Initiate elders invited me to join them for the celebration of Lammas at Alderley Edge in Cheshire. Alderley Edge is a most magical and sacred site for Witches and those who follow the Old Religion. It is years since I worked there with large groups; one outstanding memory was of 1976 when the sun shone brilliantly for the Summer Solstice; We worked throughout the night until the first dawn when the priesthood processed from the stone circle to the high altar to perform the dawn ritual. Youth was on our side then and the magic’s were innocent and daring. Initiations were a regular event in the sixties; it is a wonder that the Initiates survived the ordeals that were part of the ceremony in those days. I wonder if the Craft is becoming a little too couth, precious, and cosy these days which inclines the magic to mind and what is wanted of the Craft rather than what it is.
I rather felt like Chipps in the old black and white film as names and faces of past students and Initiates flashed through my mind. The day was spent exploring the Edge, visiting Ladywell and the Wizards Well. This day we had money to indulge in ice cream and the teashop, whereas, in the sixties and seventies, every penny was saved for the train fares, and sandwiches were shared between us. We now have the luxury of tents and all the comforts of modern-day camping. We camped in a nearby wood, I don’t think the Edge warden would have been too pleased! We reminisced years gone by, including how one warden had waited till dawn before approaching us with his big gun and two enormous hunting dogs demanding that we leave the edge. He must have watched our circle from a considered safe distance during the night! These days I think they would find it strange if witches did not work there, although, the Christians often come the next day and leave the symbol of their cross in the middle of the circle. I’m afraid it is too late; the work has been done and we perform our own banishing.
It was the Full Moon at 6.06pm. We had made the corn dollies containing that which was to be cast away and those that would be with us for the next cycle. In bright sunshine, we worked at the high altar; from a respectful distance, curious eyes of walkers and holidaymakers watched us work the practical magic of the day; wine was consecrated in the old chalice and libations given to the Old Ones. One of the dollies was placed high in a tree; this was made possible by the transformation of my walking stick that stretched a great deal and by careful balancing the dolly found its way into the near heavens.
We had dinner in the Wizard restaurant, which is terribly expensive and worth it as the food is superb. Years ago, this was a one-room pub with sawdust on the floor, one long table with two benches either side; beer and cider were available and basic alcoholic spirits. This night we toasted Alex who had the top seat and a full wine glass. The moon was supposedly a harvest and blue moon, which was in Aquarius. She was as sharp as crystal. The rite that followed was not the formal one of Lammas but one that used the full focus of the moon and as a sign that ye be truly free, ye shall be naked in your rites. Dance and laughter flowed, and wine and the moon were drunk from the chalice. Blessed be and thank you.

O Lammas foi luminoso em todos os seus sentidos. Fui convidada por uns Iniciados Elders para celebrar com eles o Lammas em Alderley Edge, Cheshire. Alderley Edge é um dos lugares mais mágicos e sagrados para os Bruxos ou para todos aqueles que sigam a Antiga Religião. Há muitos anos que não trabalhava aqui com um grupo grande. Uma das memórias que mais me marcaram foi uma de 1976, quando o sol brilhava de forma esplendorosa num Solstício de Verão. Trabalhámos magicamente toda a noite até ao primeiro raio solar, altura em que o sacerdócio seguiu do círculo de pedras em procissão até ao altar principal para realizar o ritual matinal. Nessa altura os mais jovens acompanhavam-nos e o tipo de magia era mais pura e ousada. As Iniciações eram regulares nos anos 1960, sendo de admirar que os Iniciados sobrevivessem às provações que faziam parte da cerimónia que então fazíamos. Pergunto-me se a Craft não estará hoje demasiadamente refinada, requintada e cómoda, o que inclinará a magia mais para o intelecto e para o que dela se quer, ao invés do que para o que a magia realmente é.
Senti-me agora um Mr. Chips, daquele filme a preto e branco, à medida que nomes e rostos de antigos alunos e Iniciados me foram passando pela memória. Passámos o dia a explorar a zona do Edge, visitámos Ladywell e o Wizards Well. Hoje em dia temos dinheiro para nos darmos ao luxo de comprar gelados e irmos a uma casa de chá, mas nos anos 1960 e 1970 poupávamos cada cêntimo para os bilhetes de comboio e dividíamos sandes entre todos. Temos agora o luxo de ter tendas e todas as comodidades inerentes ao campismo moderno. Acampámos num bosque nas proximidades, o que não creio que deixasse o guarda florestal de Edge muito satisfeito! Recordámos o passado, incluindo uma vez em que um desses guardas, que antes de se aproximar de nós esperou que amanhecesse, exigiu-nos que abandonássemos o Edge com a sua grande espingarda e com os seus dois cães de caça enormes. Ele deve ter ficado em vigia do nosso círculo a noite toda, a uma distância que terá considerado segura! Já hoje em dia, estranho achariam caso não aparecessem ali bruxos, mesmo que os cristãos continuem, muitas vezes, a deixar no dia seguinte o símbolo da sua cruz no meio dos nossos círculos. Lamento dizer, mas fazem-no com atraso: o trabalho já foi feito e somos nós que fazemos os nossos próprios banimentos.
Às 18:06 ficou Lua Cheia. Tínhamos feito bonecos com espigas de milho, carregados com aquilo que devia ser descartado e simultaneamente com aquilo que nos deveria acompanhar no ciclo seguinte. Debaixo de um sol intenso, trabalhámos no altar principal, e isto sob o olhar curioso de caminhantes e turistas que, a uma distância cortês, nos viram a operar magia à luz do dia. O vinho foi consagrado no antigo cálice e libações foram feitas aos Ancestrais. Um dos bonecos foi colocado num ponto bem alto numa das árvores, graças à adaptação da minha bengala, que se conseguiu esticar bastante. Equilibrou-se o boneco com cuidado e este lá encontrou o seu caminho para os céus mais próximos.
Jantámos no restaurante The Wizard que é ridiculamente caro, mas é contrabalançado pelo facto da comida ser soberba. Há uns anos, era só uma tasca de uma única sala, com serradura no chão, uma mesa comprida com dois bancos de cada lado e servia apenas cerveja e sidra ou bebidas destiladas simples. Nessa noite, fizemos um brinde ao Alex, que teve direito a um lugar de honra e um copo de vinho cheio. A lua era supostamente a de colheita e era também uma lua azul, estando no signo de Aquário. Estava límpida como cristal. O ritual que se seguiu não foi o Lammas habitual, mas um que aproveitou todo aquele foco na lua e, como sinal que sóis verdadeiramente livres, estareis nus nos vossos ritos. A dança e o riso fluíram e do cálice foram bebidos o vinho e a lua. Blessed be e obrigado.